Page 20 - Boletim numero 258 da APE
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 EM FOCO APE
          Fernando henriques
19760469
No longínquo ano de 1976 dou entrada no nosso Insti- tuto, encetando uma etapa da minha vida que marcou deci- sivamente o Homem que hoje sou.
Ganhei irmãos que não tinha, senti emoções que nunca sentira e cultivei valores que complementaram os que já tinha.
Antes, porém, decorreu uma fase de muita ansiedade, de muita pressão e de muito trabalho.
Foram os treinos para os exames físicos, foi a incerteza relativamente à utilização de óculos (será que não entro por causa de usar óculos? Acabei por esconder um pouco a uti- lização das lunetas, sendo certo que por vezes “não via um boi à frente”), foi a preocupação de tudo fazer para que pudesse atingir o meu desejo e o dos meus Pais.
Os treinos foram duros, mas o objectivo foi atingido. Entrei no meu Pilão. Foi uma enorme alegria para mim, para meus Pais e para os meus Avós.
Chega então o meu 1o dia!
Lá segui viagem com os meus queridos Pais, tão ou mais ansiosos que eu e decerto com um misto de sensações: por um lado a felicidade de terem conseguido tamanha oportu- nidade para a minha vida futura e por outro, “perderem” a vivência diária com o seu rebento de 10 tenrinhos anos.
Eu senti essa falta e muito. Não tenho dúvida alguma que os meus Pais e Avós sentiram-no de igual forma.
É certo que eu tive uma situação que muito me ajudou: A minha querida Mãe trabalhava no Pilão e via-a quase to- dos os dias no meio da labuta diária e muito intensiva, com afazeres das 8h00 às 19h00. No sábado de manhã também “alinhávamos”!
Depois do jantar, só para aconchegar, seguia-se o estu- do, os treinos desportivos e por vezes até algum descanso ... até ao dia seguinte, igualzinho ao anterior.
A minha querida Mãe, que tenho absoluta certeza foi “Mãe” de muitos da- queles que também de tenra idade preci- savam de um ombro amigo, de uma pala- vra de incentivo e de conforto, de diversos tipos de ajuda, etc., foi o nosso grande
baluarte. Caminhada para
a minha 1a refeição no nosso refeitó- rio...
Aprendi muito rápido e por vezes sem qualquer pala- vra!
Cometi o meu 1o erro no Pilão! Na minha 1a refeição sentei-me na mesa onde... só estava um Aluno finalista!
Ele acabou a
sua sopa e enten-
deu que o meu
tabuleiro era o lo-
cal adequado pa-
ra colocar a sua
“malga” vazia, até
para libertar o
seu precioso es-
paço no seu ta-
buleiro! Pergun-
tam vocês: mas
não havia outro
local? Sim, havia
o seu tabuleiro e toda a restante mesa.
Mas foi no meu que decidiu colocar a sua “malga”.
Eu olhei para ele e o próximo passo foi... procurar os meus óculos que desapareceram da minha cara como que por magia. Magia rápida e muito bem feita pois nem tive tempo de me aperceber de onde veio a razão dos meus óculos terem feito um voo inigualável.
Aprendia-se muito rápido e de forma muito eficaz no meu Pilão!
Bebi toda a informação possível e fui recebido pelo meu Cmdt Companhia, o “Lameira”, que claramente precisava de ir ao Sr. Varandas...
Conheci os cantos à casa, nomeadamente a estrutura militar que nos recebeu e enquadrou.
E eis se não quando surge o Andebol!!!
Passam pelo refeitório os Alunos mais velhos a pergun- tarem (pensava eu) “quem quer ir ver o Andebol”?
Como adorava e adoro desporto, levantei o braço e... já não o baixei! Acho que nem acabei de jantar. Fui de imedia- to treinar para a parada de... alcatrão. Basicamente a ques- tão era saber quem queria integrar a Equipa de Infantis de Andebol do Pilão. Eu percebi que era para ir ver a Equipa dos mais velhos (“ganda” Team!).
Alinhei de repente num treino e vi que estava “obriga- do” a adorar esta modalidade, a empenhar-me a 100% em algo para o bem comum. Passei desde esse dia a represen- tar com galhardia e orgulho a nossa camisola, a camisola do IPE e a da APE. Acabaram por ser “só” 11 anos de dedicação a esta causa enquanto Aluno e mais uns quantos depois de ter saído do Pilão.
São os episódios que lembro desse dia tão marcante para a minha vida e que hoje me faz pensar com muita saudade que o repetiria com todo o gosto e orgulho de ser Pilão.
De lá até 1987 foi um ápice e guardo uma grande sauda- de que às vezes até dói desse longínquo ano de 1976! Obrigado IPE, minha casa “tão bela e tão ridente”.
quERER É (sem dúvida alguma) PODER.
       18 | Boletim da Associação dos Pupilos do Exército • julho a setembro
Grupo na camarata
Sozinho junto à cama



















































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