Page 21 - Boletim numero 258 da APE
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EM FOCO APE
Ema Silva
20151097
O meu nome é Ema Silva, tenho 19 anos e neste momento encontro-me no 2°ano da facul- dade a tirar o curso de Solicitadoria, no ISCAL.
Vou então contar um pouco da minha histó- ria e de como entrei e me senti nos Instituto dos Pupilos do Exército.
Tinha 14 anos quando decidi dar um novo rumo à minha vida; seria possível uma menina da vila/aldeia do interior ir para uma cidade enorme como Lisboa, sem os pais e sem conhe- cer ninguém? Há uns anos atrás eu diria que NãO, mas sim, foi possível.
O meu avô sempre foi um homem de “ar- mas” e foi a pessoa que mais me incentivou a concorrer para o IPE.
Sendo assim, concorri sem pensar no que poderia acontecer e quando ligaram à minha mãe e lhe disseram que tinha entrado fiquei sem reação, nunca pensei conseguir, mas foi um dos momentos mais felizes da minha vida.
Comecei a organizar tudo, a comprar o que necessitava e quando chegou o dia parti em direção a Lisboa.
Assim, no final de Agosto os meus pais dei- xaram-me à porta dos Pupilos e a minha mãe fez-me uma última vez a mesma pergunta que tivera feito todos os dias desde que me disse- ram que tinha sido aceite, “Tens a certeza que é isto que queres?”, respondi sempre a mesma coisa e sem hesitação: “Sim!”.
Todos os dias me senti ansiosa para começar esta nova fase da minha vida porque era algo que eu queria mesmo muito.
Não me lembro ao certo de como foi o meu primeiro dia, porque já foi há alguns anos, mas recordo-me perfeitamente que foi uma sensa- ção maravilhosa conhecer pessoas novas, aprender coisas novas e tão diferentes das quais estava habituada.
A primeira semana apesar de ser a mais “complicada”, porque estamos a aprender só coisas novas foi a que eu mais gostei; fiz logo novas amizades e apesar de no início os gradua- dos parecerem um bocadinho assustadores, eles ensinaram-nos como marchar, formar, e muitas outras coisas que foram essenciais para o nosso dia a dia pilónico.
Gostei imenso da minha experiência no IPE, nem sempre foi fácil, mas sem dúvida saí de lá uma pessoa melhor, com mais postura, com uma nova mentalidade, com uma forma dife- rente de resolver os meus problemas e o mais importante ajudar o próximo sem querer nada em troca, isto sim é camaradagem, algo que aprendi ao frequentar esta casa tão bela e tão ridente, durante 4 anos.
José Filipe Frade
19820539
quem diria que o meu primeiro dia no IPE seria repetido por mais duas vezes.
O meu primeiro dia em 6 de Outubro de 1982 foi um dia cheio de emoção com a apresen- tação de todos os novos colegas e amigos que iriam partilhar esta nova aventura de ser Pilão.
O acompanhamento dos pais à camarata
onde iria passar todo esse ano letivo, arrumar
o armário e fazer a cama pela primeira vez foi
sem dúvida um momento marcante que guar-
do com imenso carinho onde conheci o meu
primeiro amigo (camarada) no IPE, O Victor Martins, que ain-
da hoje quando nos encontramos num abraço fraterno afirmamos que somos o primeiro amigo, um do outro desse dia.
O almoço foi no refeitório na companhia dos familiares que nos acom- panhavam nesta etapa da nossa vida, desejando tudo de bom para nós meninos de 10 anos com todos os sonhos do mundo na mala de viagem cinzenta que fazia parte do enxoval e a capacidade de trabalho na mala de mão preta onde levávamos os livros.
Depois do almoço foi tempo das despedidas, os familiares teriam de ir e nós ficávamos, e ficámos a absorver tudo. Durante a tarde fomos presente- ados com uma secção de cinema e que filme, “Os Deuses devem de estar loucos”, nunca mais esqueci este filme.
Estranho ou não tanto, voltaria a repetir o meu primeiro dia no IPE pelo meu filho mais velho, Ricardo Frade, que ostentaria o meu número, mas com uma barra diferente “2011”.
quis o meu filho mais velho entrar no IPE, no ano de 2011 e proporcio- nar o meu segundo, primeiro dia, agora como educador, 30 anos depois, entrar por aquela porta foi um misto de sensações, receios e dúvidas, agora não era eu, mas ele que iria viver as suas sensações.
Tudo diferente do meu, como seria expectável, pois passaram 30 anos. Nem tudo, o acompanhamento dos familiares aos cacifo e quartos foi muito parecido. A apresentação foi na sala de alunos com uma palestra aos pais para explicação das regras e normas do IPE, posso dizer que gostei, e afirmo que os familiares dos novos 50 alunos que nesse ano entraram também. No ginásio fomos convidados a assistir a uma breve demonstração de como se faz uma cama no IPE, coordenada por um oficial e alguns graduados, e assim se deu início à semana de adaptação, os novos alunos teriam uma semana sem aulas para adaptação ao IPE.
Passados 3 anos o meu filho mais novo, Rafael Frade, também quis fazer parte dos Pilões e deu início o meu terceiro, primeiro dia, que antecedendo este dia, como padrinho dos Pilões Rita Esteves e Guilherme Ramalho, aos quais não poderia deixar de referir por me terem escolhido como Padrinho, que representa, uma quase igual responsabilidade ao de educador.
Agora já tudo seria igual num ritmo e harmonia que envolve os educa- dores, nada foi estranho, foi esclarecedor, a acomodação dos pertences nos cacifos dos 90 novos alunos, onde 30 eram do sexo feminino, a palestra a demonstração, tudo fora pensado para o hoje, carregando o passado e di- recionados para o futuro. Este IPE, não é novo, não é passado, é presente.
Aprendi a canção “Pilão nossa casa”, o Hino ainda hoje sei, mostra todo o sentimento de uma nova geração que se renova ano após ano, que os mesmos ideais e premissas estão ainda presentes nos alunos, educadores, professores, militares e pessoal civil que colaboram no IPE.
quando entrei tive orgulho, e sei que a minha família também. Hoje continuo orgulhoso de ter sido aluno, pai e encarregado de educação de mais 2 Pilões.
Boletim da Associação dos Pupilos do Exército • julho a setembro | 19