Page 34 - Boletim numero 258 da APE
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 EVOCAÇõES
O Instituto e a Cultura;
 Nas visitas de estudo
    o tempo da Escola Primária e frequentando as bi- bliotecas itinerantes, carrinhas “Citroen de chapa canelada” da Fundação Gulbenkian, iniciei e apren-
di o gosto pela leitura.
Livros de aventuras, de história, de ficção científica... ro-
Manuel Pimenta
19640022
           mances... qualquer leitura para mim era fonte de saber e de magia.
Mais tarde com a entrada no Instituto em Outubro de 1964... os estudos e as muitas horas de leitura continua- ram... sendo as bibliotecas das Companhias de alunos e a da Associação dos Antigos Alunos, os fornecedores de uma “cultura geral” que fomos assimilando, desenvolvendo e consolidando ao longo dos anos, o que em confronto com cidadãos de realidades idênticas, nos dava alguma vantagem.
notavam muita sabedoria e dedicação, nos seus anos de Professores e Oficiais no Instituto.
Para além da meritória acção dos Professores, Mestres, Oficiais, Sargentos e demais responsáveis, esta “cultura” era também complementada com as inúmeras e variadas “visitas de estudo” aos museus, monumentos, palácios, castelos e igrejas..., às fábricas e outras instituições e infra- estruturas de reconhecido interesse cultural, industrial, co- mercial ou outro, que no final de cada período escolar, eram visitadas pelas turmas dos diversos Cursos.
Estas visitas de estudo e a viagem do final de Curso ti- nham por finalidade alargar horizontes e contactar com re- alidades novas e diferentes; acrescentavam pois, novas perspectivas ao mundo de estudo no internato que vivía- mos, e expandiam os anseios sócios-culturais que viviam no nosso imaginário de futuro....
Convém relembrar, que as liberdades de imprensa, de expressão, de opinião, de reunião e outras eram inexisten- tes... Os livros, as revistas, as leituras... eram os possíveis à época.... Nem tudo se podia ler, interrogar ou comentar... mas por outro lado tudo o que surgisse como novidade, normalmente por alunos já com outros interesses, estes mesmo, promoviam acções e iniciativas que alargavam aos demais.
Estou a lembrar-me na compra de discos de música da actualidade desses anos 60 e 70, em que os mais entendi- dos e conhecedores nos proporcionavam ouvir o Elvis Pres- ley, o Paul Anka, os Beatles, os Rolling Stones, o Adamo, o Charles Aznavour, a Areta Franklin.
Homenageio o 15/60 – Elisiário, do Curso de Electróni- ca, que veio a falecer em Moçambique em 1969, pouco tempo depois de sair do Instituto... Semanalmente recolhia as nossas contribuições em “tostões do escudo” (moeda à época) que registava rigorosamente nas suas folhas e assim tínhamos na Sala dos Alunos os discos de top ao tempo, de 45 ou 33 rpm... desses artistas famosos descritos acima e outros...
Ainda dentro da música em 1971/72 surgiu no Instituto um “conjunto rock” de alunos, com as violas, piano e bate- ria... liderado pelo “pianista” 189-Baptista.
Foi uma agradável novidade à época...
Em termos de visitas de estudo no País, há visitas que recordo.
  Viagem ITMPE Elvas 1972
Esta cultura era complementada pelos ensinamentos extracurriculares de muitos dos nossos professores que lec- cionaram nas décadas de 60 e 70, e que tinham a preocu- pação dum ensinamento já à “escala global”!...
É pois um dos vários valores que nós os Pilões muito devemos ao Instituto, que até atribuía prémios anuais para as melhores provas efectuadas para o efeito...
Não é pois, alheio a esta característica dos Pilões a qua- lidade do ensino no Instituto, nessas décadas 60 e 70 do século passado. Recordo alguns entre tantos: Marcelino, Alves Ribeiro, Boaventura S.Santos, Castelo da Silva, Túlio Gonçalves, Hernâni Barbosa, Trigo de Sousa, Nunes Mar- ques, Delfim Nunes, Robalo Gouveia, entre outros, que de-
32 | Boletim da Associação dos Pupilos do Exército • julho a setembro











































































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