Page 10 - Boletim 274 da APE
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QUATRO DIAS DE PRIVAÇÃO DE SAÍDA
No dia 10 de abril de 1974, uns dias antes da Revolução dos Cravos, fui punido com 4 dias de privação
de saída de férias da Páscoa. Registem bem a razão do meu castigo, a qual consta da Ordem de Serviço
n.º 85, deste ano:
"Pelo Subdirector foram agravadas penas, aplicadas pelo Comandante do Corpo de Alunos:
- Para quatro (4) dias de Privação de Saída, aos alunos 21 Mota, 77 Dias, 118 Domingues, 185 Peixoto, 327
Salgueiro, 409 Pinheiro da 1.ª Companhia, por terem ido jogar à bola para o Ginásio da 1.ª Secção, no fim-
de-semana de 23/24 de Março, sem autorização."
FÉRIAS DE PÁSCOA “À PORTA”
Entrávamos oficialmente de férias da Páscoa a 1
de abril, a uma segunda-feira, contudo nos meus
dois primeiros anos de aluno, tínhamos aulas ao
sábado de manhã e podíamos sair de férias depois
do almoço deste dia.
Esta punição teve efeitos imediatos, mesmo
antes de ter sido publicada em Ordem de Serviço.
Informaram-me de que estava privado de sair 4 dias
de férias, mesmo em cima do início das mesmas, e,
como as comunicações com a minha família eram
realizadas através de bilhete-postal, não tive tempo
de avisar a minha mãe desta ocorrência.
Estando privado de sair, deixei-me ficar nos Pupilos
do Exército, na expectativa do que iria acontecer
nos dias seguintes.
estava castigado e qual a razão do meu castigo.
Informei-a de que por este facto não podia sair do
Instituto nos próximos 4 dias, e que nem sequer
tinha ainda em meu poder o passaporte assinado
pelo Comandante de Corpo de Alunos, o qual me
permitiria sair quando terminasse a punição.
E AGORA?
Perante isto, a minha mãe ficou em estado de
choque, sem saber o que fazer. Falou com o oficial
de dia e explicou-lhe que tinha vindo do Porto de
propósito para me levar de férias, mas eu não podia
sair, e não sabia o que fazer. Deve ter-lhe passado
pela cabeça que a única solução seria voltar para o
Porto e regressar a Lisboa passados 4 dias para me
buscar, mas, na conversa com o oficial, perguntou-
lhe se haveria alguma solução alternativa para
resolver o problema.
O oficial de dia sugeriu à minha mãe que falasse
com o Comandante de Corpo de Alunos, e lhe
apresentasse o caso e visse qual era a reação dele.
CHAMADA À PORTARIA
Depois de quase todos os alunos terem saído de
férias naquele sábado, andava eu a deambular
pela parada em conjunto com outros alunos que
também tinham sido castigados, quando ouço na
instalação sonora do Instituto:
– Atenção! Aluno n.º 21 deve comparecer na portaria.
Deve comparecer na portaria o aluno n.º 21.
Quando cheguei à entrada principal do Instituto,
era a minha mãe. Vinha buscar-me para me levar
para casa nestas férias da Páscoa.
Perante a sua presença, tive de lhe explicar que
O MAJOR OLAVO RAMOS
Lá fomos então, os três, tentar falar com o Major
Olavo Ramos. Quando chegámos ao edifício na
parada superior da 1.ª Secção, onde se situava
o gabinete do major, o oficial de dia pediu para
ficarmos por ali à sua espera. Subiu as escadas e
foi sozinho ao Gabinete do Comandante de Corpo
de Alunos. Explicou-lhe a situação e informou-o de