Page 7 - Boletim 267 da APE
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BOLETIM APE | OUT/DEZ 2022
VIAGENS | CRÓNICAS
Interrail
Mais do que uma simples viagem de comboio
Foi a caminho da faculdade que a ideia surgiu. Um letreiro gigante, nem a propósito, mesmo à frente do meu nariz. “European year of rail” dizia. E eu ali decidi:
“Vou fazê-lo, sozinha ou não!”.
Contei ao meu namorado (companheiro de aventuras e a
cara-metade mais ponderada e racional da coisa) pronta para contra-argumentar todas as contestações de uma ideia tão séria quanto meter-me em transportes e andar por aí. Mas não houve quaisquer questões... “Também gostava, posso ir contigo?” perguntou-me.
Com uns quantos meses de antecedência e poucos dias de férias, definimos um “budget”, orçamentámos tudo e fomos marcando alojamentos e comprando bilhetes atempadamente e de forma a garantir os preços mais simpáticos. É importante referir que sou a “freak” do “não- gosto-de-coisas-que-fogem-ao-meu-controlo” ainda que por vezes tome decisões motivadas por um impulso.
E é precisamente aqui que o Interrail entra enquanto chapada de luva branca para quem acha que viajar é apenas um mar de rosas que não traz mais do que lazer e tranquilidade. Não! Viajar são também lições, daquelas que não aprendemos no conforto da nossa bolha. Lições sobre a valorização do tempo, do país onde nascemos, do dinheiro, da história e dinâmica do mundo... Lições sobre gestão, resiliência, paciência, versatilidade e alguma criatividade. Fazer um Interrail é aceitar que vamos ter de transcender tudo aquilo que um dia acreditámos ser uma barreira.
Dia 1, 2 e 3
O primeiro destino foi Roma. Apanhámos um avião, uma vez que para sair de Lisboa de comboio com destino (na sua maioria) à Europa central, teríamos de desperdiçar uma séria de viagens do passe de Interrail (aconselhado adquirir para este género de viagem).
Tínhamos agendado como primeira visita para esse mesmo dia o Coliseu. A situação, naturalmente, saiu fora de controle e quando demos por nós já estava quase na hora da visita. Foi uma correria do início ao fim para conseguirmos chegar a horas. É importante ressalvar que sou a “freak” do “gosto-de-ter-horas-marcadas-para-tudo” enquanto o meu
namorado adota mais o modo “take it easy”. E, confesso, foram várias as vezes que os nervos do dedo grande do pé de cada um estremeceram sempre que esta diferença se manifestava. Mas conseguimos! Imergimos na história de Roma e do impressionante “Colosseo”. Aproveitámos o resto do dia para passear, jantar num restaurante típico perto da “Piazza di Spagna” e tomar a “excelente” decisão de nos deslocarmos sempre a pé. Nesse dia, foram mais de 15km pela cidade. Mas quando uma pessoa é estudante e não tem grandes rendimentos há sacrifícios que têm de ser feitos. E, se há coisa que aprendi com o meu pai, é que apenas quando andamos a pé com um mapa na mão é que enxergamos verdadeiramente a geografia de um sítio. Conhecemos Roma como poucos turistas e, isso, ninguém nos tira!
Mariana Magro*
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