Page 35 - Boletim 267 da APE
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BOLETIM APE | OUT/DEZ 2022
PALAVRAS SOLTAS
Se te pedir com jeitinho...
Se te pedir com jeitinho
Deixas que leve comigo
Umas coisas por dizer?
Posso encontrar, pelo caminho, Um cão vadio, um mendigo,
A quem as oferecer
Deixas-me ir
Ainda de cabeça quente?
Com um nó na garganta
E palavras por digerir?
Assim como quem ainda sente Que tossir adianta?
Posso levar na algibeira Alguma coisa que alimente
A vontade de voltar?
Um bilhete na carteira,
Um sentimento dormente Que incomoda ao acordar?
*Mariana Magalhães Rapoula é filha do AA Luís Filipe Rapoula (19700223) e da Maria Teresa Magalhães AA do Instituto de Odivelas.
A Mariana é licenciada em Direito e Mestre em Direito Fiscal, trabalha como jurista e consultora fiscal desde 2015. A par da sua profissão desde cedo revelou um fascínio e interesse por literatura e arte, tendo, ao longo dos seus 29 anos, tirado várias formações e participado em vários workshops de ordem artística, ligados à poesia, escrita criativa e teatro.
Recentemente a Mariana publicou um livro infantil, escrito durante o tempo da pandemia “Não Contes aos teus Pais”, mantém também uma página de Instagram (#cor_de_prosa) onde tem publicado alguns dos seus poemas.
Caminhos...
Existem viagens, de rotas não mapeadas, que incitam à descoberta. Algumas, as que merecem o caminho andado, ostentam, escondidas, montanhas de um
só rei, senhor dos mapas a percorrer, que os altera a seu bel-prazer, criando barreiras ou atalhos consoante o desejo de as mostrar ao caminhante. Muitos, coitados, ficam pelas delícias do oásis que encontram logo ali, quase sem esforço, acreditando ter chegado à sala do tesouro, e caem, logo a seguir, para fora das linhas de defesa duma muralha onde nunca mais vão conseguir entrar, outros, mais inconformados, tentam chegar ao rei e, se tiverem a sorte de lá chegar, receberão um novo mapa, sem rumos premeditados, cheios de vontades de regresso, e são colocados noutro ponto de partida qualquer, sem terem que vencer a primeira linha de defesa, e assim sucessivamente, até o rei lhes conceder livre-trânsito e os considerar, a eles, também, viagem almejada.
Existem seres dignos de serem amados, que merecem todos os riscos, viagens vivas, múltiplas, renascidas a cada chegada, cheias de escaninhos por descobrir e de oásis, cada vez melhores, que despertam o sentido aventureiro à alma mais quieta.
Felizes os caminhantes que conseguem submeter reis à sua viagem e os reis que conseguem encontrar a viagem em quem acabou de chegar.
Há quem lhe chame amor.
Mariana Rapoula*
Ramiro Nolasco
19740268
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