Page 27 - Boletim numero 259 da APE
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 EVOCAÇÕES
Salto para a piscina
         Anúplio Matos
19680205
Quem conta um conto, acrescenta um ponto...
Em todas as histórias que se perpetuam no tempo, à medida que vão sendo recontadas vão sofrendo alterações de acordo com a maneira como os respetivos re- cetores as vão interpretando.
Com o meu salto para a piscina aconteceu o mesmo...
Meus amigos, cada vez que compareço num evento do Pilão/APE, acabo sempre por ouvir uma série de histórias entusiasticamente contadas no discurso direto, sobre o meu salto da janela da última camarata da antiga 3a Com- panhia (esta é a minha referência) para a piscina. Se não me engano, na altura do salto esta camarata era da 1a Com- panhia.
Há sempre alguém a perguntar; Anúplio, quanto é que foi a aposta para saltares para a piscina?
Imediatamente alguém responde; 5$00!... e logo outro a seguir diz; não foram 5$00, foram 20$00!
O engraçado é que quando eu digo que não houve ne- nhuma aposta, alguém me diz; “Houve sim senhor que eu sei!” He he he (engraçado)...
Pois é meus amigos, embora sabendo que há coisas que ficam mais empolgantes e fascinantes no mundo da fantasia de cada um, resolvi contar o que realmente acon- teceu.
Efetivamente não houve aposta nenhuma!
Decorria o mês de julho de 1980 e estávamos em perío- do pós-escolar a efetuar uma curta sessão de treinos (dois ou três dias) da Clássica “Classe Especial de Ginástica”, para uma exibição no Juramento de Bandeira do Regimento de Infantaria de Angra do Heroísmo. Evento para o qual fomos convidados a participar durante vários anos consecutivos. Este evento era coincidente com o dia de aniversário da- quela unidade militar e, talvez por isso, repetidamente nos convidavam para abrilhantar a sua festa.
O que na realidade aconteceu foi um desafio que o “Fozi” (António Santos – 19720060) me fez quando passá- vamos junto à piscina imediatamente a seguir ao almoço:
– Então Anúplio? Disseste que ias saltar da janela para a piscina, mas vais-te embora e não cumpres o prometido!
Efetivamente eu tinha dito que um dia o faria, mas cada vez que lá ia acima espreitar à janela em tempo de verão com a piscina cheia, por diversas razões nunca acontecia.
Independentemente de ser um corredor muito concor- rido, o maior problema não era o salto propriamente dito, porque isso era uma questão de técnica de salto e eu já ti-
nha efetuado outros algo mais complicados na piscina do Sport Algés e Dafundo.
De ténis para não escorregar o pé de chamada na sa- liência triangular do lado de fora da janela, com um peque- no impulso ultrapassaria facilmente a distância (largura do corredor) e vestido, a roupa serve de travão para vencer a falta de profundidade da piscina. Depois é apenas fazer uma máxima tração com o corpo, neste caso invertida (os para-quedistas sabem do que falo) e quase que não se toca no fundo.
Na realidade, o maior problema era o cabo de aço que suportava o cabo elétrico que alimentava a casa do Zé das Porcas. Ele saía da esquina do edifício e passava em diago- nal à frente da janela a cerca de metro e meio/dois metros de distância e a uma altura aproximada dos joelhos. Tinha de saltar por cima do cabo porque bastava tocar nele para se calhar não chegar à água.
Mas naquele dia, perante o desafio (quem me conhece sabe que eu tenho dificuldade em virar as costas a um de- safio), resolvi subir para recordar as condições e, de sapa- tos de sola, coloquei o pé na saliência (frontão triangular) fora da janela, calculei o salto e nem pensei mais, teria de ser naquele momento. Fardado, com carteira e outos per- tences nos bolsos, relógio, e barrete na cabeça, concentrei- -me no impulso para passar por cima do cabo e simples- mente saltei. Encolhi as pernas e o resto foi Peanuts.
No momento, nem pensei em quem poderia estar a ver. Para além, do próprio Fozi, do irmão “Chico” (João Luís San- tos – 19740267), do meu par “Pranchites” (Jorge Pires – 19700017) e, se não estou em erro, também o Jaime Loba- to – 19710310 (não me recordo de mais ninguém), estavam também o Major Marcelino e o Professor Boa Alma (Chess- man/Assassin). Estes estavam em plena cavaqueira e só se aperceberam com a explosão da entrada na água.
Claro que participaram logo de mim ao Oficial de Dia (Capitão Guedes).
Este, felizmente apreciou o feito e resolveu não me complicar a vida porque era pré-finalista. Em simultâneo, admoestou-me e felicitou-me pela coragem.
E foi isto, meus amigos. Abraço a todos
          Boletim da Associação dos Pupilos do Exército • outubro a dezembro | 25








































































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