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 Mariana Martins Magro*
 CULTURA E CONHECIMENTO
BOLETIM APE | ABR/JUN 2023
Alterações climáticas
Um desafio às “Gerações anteriores do IPE”
Otema das alterações climáticas está hoje mais presente do que nunca. É uma realidade em qualquer agenda política já que se trata de
um problema a nível global com repercussões atrozes transversais a diversas áreas da sociedade, sendo considerado a maior ameaça ambiental do século.
O clima compreende a sucessão de diferentes estados do tempo referentes a uma determinada região numa linha cronológica. Trata-se, por isso, de um padrão apenas possível devido à combinação de alguns fatores, nomeadamente a composição química da atmosfera.
São os gases de efeitos de estufa, particularmente o dióxido de carbono, metano e óxidos de azoto, que possibilitam esta fantástica atmosfera e temperaturas tão agradáveis e verdadeiramente essenciais à vida, já que retêm o calor proveniente da luz solar que de outra forma seria endereçada para o espaço.
Estes gases não são por isso “vilões” e muito menos dispensá- veis, nem as alterações climáticas uma novidade na história do nosso planeta. As mudanças climáticas podem decorrer de processos na- turais e pontuais como erupções vulcânicas (que libertam bastante CO2), incêndios ou da alteração na inclinação do eixo da Terra (que provocam alterações na irradiação solar). Mas aquilo que temos vindo a testemunhar desde a revolução industrial na segunda metade do século XVIII é o despejo de tonela- das de emissões destes gases pro- venientes das atividades humanas.
Esta libertação desmedida é resultado direto do funcionamen- to de setores como o da energia, transportes, combustíveis fósseis, agropecuária (entre tantos outros) mas também de atividades síncro- nas como a desflorestação, uma vez que as árvores (particularmen- te as de grande porte) ajudam a re- gular o clima ao absorver grandes quantidades de CO2 que acaba por ser libertado para a atmosfera no momento do seu abate. Estão as- sim criadas as condições para uma perturbação incalculável do equilí- brio natural da Terra, refletindo-se particularmente no aumento da temperatura, que se manifesta de
forma bem mais complexa do que apenas uns meses de ve- rão prolongados. As consequências do aumento da tempe- ratura média do planeta passam por uma maior ocorrência de eventos como secas e cheias regulares, doenças (nome- adamente epidemias) que ou não existiam ou registaram um aumento na sua dispersão, fogos mais frequentes, uma subida no nível médio do mar que coloca em causa popu- lações costeiras, uma cascata de perda de biodiversidade que não é capaz de se adaptar a novas condições, desertifi- cação do solo e falta de água. E desengane-se quem julga que isto é um problema apenas de um indivíduo da outra face do mundo. Devido às suas características geográficas, Portugal encontra-se entre os países europeus com maior vulnerabilidade aos impactos destas alterações. Atualmen- te, morrem cerca de 200 pessoas por ano no nosso país devido às mesmas. E, ainda que sejam os países menos de-
 





















































































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