Page 38 - Boletim numero 261 da APE
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EVOCAÇÕES BOLETIM APE | ABR/JUN 2021
Em memória do
Artur Barroca da Cunha
   Vou recordar alguns dos momentos mais marcantes da minha convivência com ele. São momentos que se confundem com o nascimento e desenvolvimento do Tiro Desportivo no Pilão. Na realidade, não podemos falar desta modalidade desportiva, sem falar das Direções da APE presididas por Artur Barroca da Cunha.
Portanto, falar do Tiro Desportivo no Pilão, também é fa- lar de Artur Barroca da Cunha.
O Tiro Desportivo (federado) surgiu no Pilão no início de 1978. Refiro como “Tiro Desportivo”, porque é diferente do “Tiro com Armas de Caça”, embora ambas sejam modalida- des olímpicas.
O meu “vício” de desporto federado já existia desde os 11 anos, representando o meu clube de sempre (não interessa qual para este texto) em voleibol e mais tarde em atletismo. Devido a uma lesão no joelho, em 1978 estava a tentar perce- ber o que poderia fazer (para além de integrar a equipa de voleibol do Pilão). Surgiu o Tiro Desportivo, ainda para mais porque conhecia bem o treinador (Major Lemos Costa da Força Aérea).
Comecei quase por curiosidade.
Não me lembro exatamente quantos alunos estavam nessa altura a treinar, mas éramos mais de uma dezena, alu- nos e alunas. Esta equipa representava uma lufada de ar fres- co no Tiro Desportivo nacional.
Nos campeonatos distritais de 1978, a nossa primeira pro- va oficial, representámos a APE sem sequer estarmos ainda federados. O sucesso foi absoluto!
12 atletas presentes
1 Campeão Distrital em Carabina Ar Comprimido 10mts Ju- niores Masculinos, João Pontares (19771118)
1 Vice-campeã Distrital em Carabina Ar Comprimido 10mts Senhoras, Graça Gualdino (19771061)
1 Vice-Campeão Distrital em Pistola Ar Comprimido 10mts Juniores Masculinos, José Eduardo Andrade (19670291)
1 medalha bronze em Pistola Ar Comprimido 10mts Junio- res Masculinos, Carlos Teixeira (19670279)
Foi então que foi decidido inscrever a APE na Federação Portuguesa de Tiro e, dessa forma, passar a representar o Pilão de forma oficial e formal. Por coincidência, na FPT tra- balhava a mãe de um dos nossos atletas, o Miguel Vicente (19760464), também filho do Capitão Vicente que comandou a 4a Companhia.
Sendo eu nessa altura o atirador com “mais jeito”, acabei por assumir a componente administrativa da logística de cada prova (basicamente: inscrições, lanches, carrinha do Pi- lão para o Jamor ou onde fosse a prova, etc.).
Comecei então a subir quase todas as semanas aqueles degraus imensos para chegar ao último piso do edifício onde estava a sede da APE na Rua da Misericórdia, para aproveitar a reunião da Direção para tratar da burocracia, que eu bem conhecia das Festas de Natal e de quando o meu pai fazia parte da Direção da APE.
Foi aí que comecei a conviver com o Artur Barroca da Cunha. Claro que não vou negar que ser filho de outro Pilão sempre ajudou. O Artur Barroca da Cunha coincidiu 3 anos com o meu pai, mas o João Marques da Silva, vice-presidente da direção na época, (19370278), que eu conhecia há anos, era do tempo dele.
Desde a primeira hora que o Artur Barroca da Cunha, Pre- sidente da Direção da APE, apoiou e motivou o crescimento do Tiro Desportivo. A equipa foi crescendo, embora com muitos altos e baixos próprios de uma modalidade que é bem mais difícil e fisicamente exigente do que parece. Os re- sultados foram aparecendo. Os nomes “Pupilos do Exército” e “APE” passaram a ser bem conhecidos e era raro não esta- rem presentes nas entregas de prémios.
Algures no tempo, também eu passei a fazer parte da Di- reção da APE presidida pelo Artur Barroca da Cunha, junta- mente com o José Barbosa Pereira (19510211), o Joaquim Al- palhão (19520034), o José Xares Rodrigues (19630014), o Humberto Moita (19530032), o João Nabais (19600207) e o Damião Fernandes (19630354), para além do vice-presidente João Marques da Silva.
Em 1980 foi lançada e aprovada a ideia de passar a orga- nizar anualmente o “Concurso de Tiro da APE”, integrado no calendário de provas da FPT. O sucesso foi total, em termos de número de participantes.
Nesta foto, ali está o Artur Barroca da Cunha presente na distribuição de prémios da prova e a apoiar a equipa de Tiro Desportivo da APE. Também está a Margarida Wilton (19771051), a receber um dos prémios de Carabina Ar Com- primido a 10 mts – senhoras, o Alfredo Camilo Santos (19710187) e eu, para além do nosso treinador de carabina – Fernando Carmo.
Em 1981 começou a Direção da APE a planear a forma de comemorar o 50o aniversário (1932-1982).
Surge então a ideia de avançar com uma organização de- safiante, grandiosa, inovadora no sentido de nunca ter sido feito algo igual em Portugal, e de grande impacto nacional (e algum internacional): o INTERAPE (“INTER” de Internacional e “APE”) – o concurso internacional de Tiro.
João Pontares
19771118
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