Page 40 - Boletim numero 258 da APE
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leituras
O que eu li...
Em junho deste ano, pela altura do 88o Aniversário da APE, foi lançada a 3a edição do livro “Malta Brava”, do pilão Alexandre Cabral (19290072). Esta obra é um dos livros que a maior parte dos pilões têm, ou gostariam de ter, na sua biblioteca, e
que se encontrava esgotado há alguns anos.
Embora a 2a edição fac-similada de 1997, fizesse par- te da minha biblioteca, só em finais de janeiro deste ano consegui ter tempo e disponibilidade mental para a sua leitura. Sim, porque para uma obra como esta não basta ter tempo, é preciso que o tempo seja acompanha- do por uma disponibilidade mental que permita saborear todo o seu conteúdo, permitindo ao leitor, eu, entrar na pele de cada personagem e perceber bem todos aqueles sentimentos que envolvem a passagem pelo “colégio”,
pelo IPE!
E em boa hora o fiz! A linguagem e formato dessa edi-
ção, permitiu-me entrar na época em que tudo acontece, e viver cada momento como se estivesse presente! Sen- tia-me a desbravar cada caminho que aqueles pilões fa- ziam e a viver cada momento, como se eu fizesse parte da história. Tenho pena de não ter a primeiríssima edi- ção, pois decerto que o cheiro e a cor das folhas envelhe- cidas pelo tempo, ainda tornariam mais real toda aquela aventura!
Este livro é um misto de romance e aventura, no qual se evidenciam os sentimentos de revolta, medo, lealda- de, camaradagem, amizade... e paixões.
É um retrato da juventude, em internato, para quem a família são os camaradas! O quebrar das regras, a cum- plicidade nas aventuras e sonhos mais diversos, mos-
Ana Oliveira
19781097
tram-nos o espírito de união que existe entre todos e que não acaba ao primeiro revés.
Deixo aqui algumas passagens que me tocaram particularmente e que espero despertem a curiosida- de daqueles que ainda não tiveram oportunidade de
ler a obra:
“quem não conhece as histórias do colégio, as
mais estranhas. (...) «que escolhiam as amantes en- tre as raparigas da Casa de Correcção!»”
“A mancha lilás da aurora, acariciava a janela da 5o camarata. (...) o Mascote, envolvido em tépio torpor, mergulhava os olhos na parede fronteira, branca como um lençol.”
“As aulas do Terror eram um pesadelo. (...) Vários fac- tores se conjugavam para que a sala de Física se revestis- se da severidade que a todos dominava (..) A imaginação mais doentia não era capaz de engendrar apetrechos tão complicados: verdadeiros instrumentos de tortura.”
“A malta do 2o procurava o Miss para despejar nele o exaspero da turma. à falta de melhor pretexto, aquele seria o bode expiatório.”
“Trair a camaradagem é uma ofensa feita a todos nós. (..) Reconhecia que os camaradas representavam uma segunda família, a verdadeira família, talvez.”
“O 23 ajudou-o a levantar-se. (...) Permaneceram abraçados um grande pedaço. O carinho do companheiro fez com que os soluços se soltassem contra vontade. (...) –Só queria que tu não me desprezasses... nem os compa- nheiros.”
Nota Final: Depois da leitura do livro e de ter escrito este pequeno texto, resolvi procurar nos alfarrabistas “online” a 1a edição do livro “Malta Brava” e tive a sorte de encontrar um exemplar autografado pelo autor! Pare- ce que vou ter de o reler...
Título: Malta Brava Autor: Alexandre Cabral
19290072
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