Trappist-1 O Sistema Planetário Só Com Terras

Alexandre-Correia

 

trappist1No passado dia 22 de fevereiro foi anunciado ao mundo a existência de um novo sistema planetário de seu nome “Trappist-1”. Mas porque razão tanto alarido, quando atualmente já são conhecidos cerca de 2700 estrelas acompanhadas por planetas?

“Trappist-1” deve o seu nome ao telescópio robótico belga TRAPPIST (Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope) localizado no Chile, que começou suas operações em 2010. O número 1 significa que foi o primeiro sistema a ser identificado por este telescópio. A escolha do nome do telescópio homenageia ainda a cerveja trapista, que é um tipo de cerveja produzida sob a supervisão de monges da Ordem Trapista. Dos 171 mosteiros trapistas existentes no mundo apenas onze são autorizados a marcar suas cervejas com o selo de autenticidade trapista, garantindo a origem monástica de sua produção.

Mas “Trappist-1” não é simplesmente um sistema planetário com nome de cerveja. Ele contém sete novos planetas, quase tantos com o sistema solar. A maioria dos outros sistemas já conhecidos não conta com mais do que um ou dois planetas. Mas a grande particularidade deste novo sistema também não é essa. Acontece que esses sete planetas são todos mais ou menos do tamanho da nossa Terra (uns ligeiramente maiores, outros ligeiramente mais pequenos). Estes planetas para já ainda não têm nome, receberam por enquanto apenas letras do alfabeto, de “b”, o mais próximo da estrela, a “h”, o mais afastado (a letra “a” designa a estrela).

trappist-2Mais interessante ainda, três destes planetas (“e”, “f” e “g”) situam-se na “zona habitável” da estrela, a região do espaço onde a temperatura do planeta pode permitir a existência de água no estado líquido, tal como na Terra, um requisito fundamental para a possibilidade de existência de vida. Neste momento ainda não há tecnologia disponível que nos permita saber mais sobre estes planetas. Vai ser por isso esperar alguns anos até que novos instrumentos nos possam confirmar ou não a existência de água no estado líquido.

Porém, é preciso ter alguma cautela, pois a estrela de“Trappist-1” é muito mais pequena que o Sol, tem apenas cerca de 8% da massa. Assim, os planetas estão muito mais próximos da estrela (e uns dos outros). O planeta mais próximo completa uma órbita em apenas dia e meio, sendo que o mais afastado demora 20 dias. Como termo de comparação, o planeta Mercúrio (o mais perto do Sol) demora 88 dias. Estes novos planetas só conseguem ter temperaturas amenas por também ser uma estrela muito mais “fria” que o Sol. Para situar os leitores, enquanto a temperatura média da atmosfera do Sol são cerca de 5500ºC (ver Boletim #222), a da estrela de “Trappist-1” ronda os 2500ºC.

trappist-3Devido à proximidade entre a estrela e os seus sete companheiros, há a possibilidade de material desta se desprender e atingir a atmosfera dos planetas, destruindo-a completamente (o que inviabiliza a existência de água líquida). Outro problema é que estes planetas apontam sempre a mesma face para a estrela (tal como a Lua aponta sempre a mesma face para a Terra, ver Boletim #216), pelo que um dos hemisférios pode ser muito quente (temperaturas superiores a 100 graus) e outro muito frio (temperaturas inferiores a 0 graus). Em todo o caso, mesmo que possa haver vida inteligente em algum destes novo mundos, comunicar com eles não será nada fácil: ficam a cerca de 40 anos-luz da Terra, pelo que para cada pergunta enviada, a resposta demorará 80 anos a cá chegar…

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