Dignidade Humana

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Acabo de chegar da Tailândia primeiro país do extremo oriente que tive oportunidade de visitar.

É um Pais de frenesim como me parecem ser todos os países asiáticos, com um trânsito caótico, milhares de motos que arrancam desenfreadas ao abrir do verde do semáforo. Todos numa louca corrida na procura da sobrevivência.

Em contraste no Domingo, numa trégua, uma calma enorme junto ao Palácio Real milhares de Tailandeses prestavam- se para mais uma homenagem que vêem tributando ao seu Rei acabado de falecer e a quem dedicarão um ano de luto.

Por isso, por todo o País se vêem imagens do Rei, pelos vistos Homem ecléctico e bondoso, paredes vestidas com panos a preto e branco, num sinal de luto, que também é simbolizado através da doação na rua ao povo Tailandês, mas que se estende igualmente a nós, estrangeiros, com dádivas de água, refeições e fruta.

Tudo na maior das ordens, com respeito e organização. Mesmo em Kaosan Road, rua de Bangkok conhecida pelo seu movimento e pelo seu barulho parece ter havido uma trégua respeitadora, já que não há música mas, com todo o comércio de restauração, vendedores ambulantes e bares a funcionar.boletiom_243_3

Em Pucket, Patong Beach, Bangla Road a morte do Homem não passou por ali e, pude observar dos espectáculos mais degradantes de assédio, prostituição, pedofilia, com velhos com meninos e meninas ao colo, proxenetismo, outros acompanhados das famosas lady-boys, protagonizados por ocidentais, num cenário inqualificável de indignidade humana como nunca tinha tido a oportunidade de observar na minha vida.

Mas voltemos a Kaosan Road para que vos conte novo episódio.

Jantávamos e, na mesa ao lado dois casais franceses. A determinada altura aproxima-se uma coitada tailandesa desdentada, que entre diversa coisa, pretendia vender um chapéu de malha aos 4 franceses. Os ditos mexeram, remexeram, o chapéu passou de cabeça em cabeça, a mulher ria-se com os poucos dentes que tinha, eles franceses com o chapéu na cabeça iam tirando fotografias uns aos outros, ela com uma esperança que se ia acendendo pensando que iria ver algo até que, de repente, a comida chegou, devolveram o chapéu à mulher, fixaram-se no repasto e ela coitada decepcionada, lá teve de seguir a sua vida.

E eles rindo-se, no meio de cada garfada, enquanto iam revendo as fotografias tiradas e a mulher se afastava.

Pouco tempo depois, novo assédio de um vendedor, desta vez com uns escorpiões empalados, assados ou grelhados, novamente os franceses, simulando que os estavam a comer, iam tirando fotografias, o escorpião passando de mão em mão mas, no final com idêntico resultado, acabando os franceses por comprar nada e o vendedor a bater em retirada com nova decepção vincada no rosto.

Retratos diversos da dignidade humana ou falta dela.

 

Carlos Brás | nº19670182

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