Crónicas da Tertúlia dos Fotógrafos Amadores da APE

6.º PASSEIO – ÉVORA

O Passeio a Évora foi TOP, os meus amigos Tertulianos foram TOP… Évora é TOP ponto!!! (Há que dar uma certa jovialidade ao texto, afinal TOP é jovem).

Mas este passeio que tem sempre um gostinho de clicks infindáveis e inusitáveis, teve um momento sublime que considero o seu apogeu.

Desta vez tivemos o privilégio de conhecer a Fundação Eugénio de Almeida, as suas raízes e a sua importância para Évora.
Primeira passagem pela quinta do Valbom e pela Adega da Cartuxa, que é hoje um dos centros de estágio dos vinhos produzidos pela Fundação Eugénio de Almeida (Cartuxa e Pêra-Manca), percorremos assim a sua historia, os seus toneis de carvalho francês, terminando esta aventura com uma prova de vinhos e azeites produzidos nas propriedades da Fundação.

Depois de um almoço de iguarias alentejanas seguimos para visitar o Paço de S. Miguel e o arquivo e biblioteca Eugénio de Almeida, o tal MOMENTO.

O nosso guia foi o Rui Carreteiro, o Rui para além de ser o responsável pelo arquivo da Fundação Eugénio de Almeida, foi aquela pessoa improvável que tivemos o privilegio de encontrar no nosso caminho (muito agradeço aos meus amigos Ernani e Graça).
Passámos muito tempo dentro do Paço de S. Miguel com o Rui (e como o tempo voou), uma pessoa apaixonada, radiante e divertida. O Rui é um contador de histórias, os olhos brilham quando as conta e nós os destinatários delirámos com as mesmas.
As perguntas, os esclarecimentos e as gargalhadas foram uma constante durante toda a visita. As fotos foram permitidas excecionalmente e os “clicks” ouviam-se nos intervalos das eloquentes intervenções do Rui, sim que ninguém queria perder “pitada” e situação ímpar os CLICKS foram vencidos pelo Rui.

O momento sublime do Rui foi na biblioteca, enquanto nos apresentava a família Eugénio de Almeida, lentamente começou a calçar as suas luvas brancas, a sensação foi a de que estávamos prestes a assistir a uma operação cirúrgica delicada. Rapidamente ficou claro que todos aqueles livros, documentos, fotos, quadros, tapetes, peças, móveis, frescos do teto, faziam parte da vida do Rui, as suas palavras estavam impregnadas em paixão pela família e casa que considera sua.
Com muita pena despedimo-nos do Rui levando na memória aquele momento único. O dia estava quase a terminar e muitos despediram-se e regressaram a casa, alguns resistentes ficaram para o dia seguinte e para mais um dia magnifico de passeio pela linda cidade que é Évora.

Nem a “Beata” que me saltou (ou assaltou) em cima na Igreja de Santo Antão para evitar que tirasse uma foto e quando digo saltar, é literalmente esse o termo, me roubou o prazenteiro momento. A Igreja no seu melhor!! Lamentavelmente (para a Beata) eu não era uma turista qualquer e depois do ataque que sofreu a minha bebé (sim que teve o atrevimento de “chapar” a mão na minha objetiva) quem lhe lançou as mãos a seguir fui eu, fazendo-a voar na minha direção mantendo-a segura enquanto lhe sussurrei as regras da boa educação e as desvantagens de tocar na minha “bebé”. Bem que o Ernani me avisou dos perigos de uma turista incauta entrar naquela igreja.

Todo o passeio mais uma vez cumpriu os objetivos, aliás na verdade superou-os, o prazer da fotografia tem se tornado cada vez mais numa experiência única de amizade e partilha.

Um grande SALVÉ á nossa Tertúlia…

7.º PASSEIO – Belver

Desta vez e a convite do Fernando Batista e da sua esposa Alda, aventuramo-nos por terras de Belver.

Belver é uma vila acastelada, que se debruça sobre o lindo rio Tejo, há quem afirme a pés juntos que é Beira Baixa por estar “plantada” nos terrenos da sua província, sendo ligada ao Alentejo por uma ponte ferroviária sobre o rio construída em 1905, ou seja na verdade administrativamente faz parte do distrito de Portalegre e como tal é também Alentejo.

A Vila é linda com o seu manto de casas brancas imaculadas e do alto do seu castelo medieval as paisagens são de tirar o folgo a qualquer um. O sossego é impar, assim como a paz e calma que transmite, só é interrompido pelas badaladas do sino da igreja, que a cada hora nos lembra como o tempo voa.

Desta vez éramos 17 e à hora marcada estávamos todos no largo da igreja, o dia estava brilhante e quente para receber os “Tertulianos”.

A boa disposição estava lá toda, com a exceção da nossa Cristina Coelho que se sentiu infelizmente, muito doente, tendo regressado depois de almoço a casa com muita pena de todos.

Começamos com a subida ao Castelo e com a exuberância da paisagem de Belver e com a visita ao mesmo e ao seu centro de interpretação, depois descemos e rumamos ao museu do sabão.

Ficámos todos a saber a importância que a Industria Saboeira teve na zona do Alto Alentejo a partir da segunda metade do século XVI. A produção de sabão (mole) teve uma importância significativa na vila, nesta localidade foi instalada a real Fábrica de Sabão, que funcionou em regime de monopólio.

Saímos do museu e passamos por casa dos nossos anfitriões o Fernando e a Alda, aí fomos acarinhados com as iguarias da terra e claro com toda a atenção que a simpática e doce esposa do Fernando nos dispensou ao preparar tudo. A mesa era irresistível com os queijos alentejanos, presunto, chouriços, pão, broa, digestivos e acima de tudo com brindes, alegria e divertimento.
Seguimos diretos da casa do Fernando para o restaurante para mais uma prova da gastronomia da terra onde já nos aguardava a Cristina e o Jorge antes de se meterem a caminho para Lisboa.

Depois de bem almoçados rumamos agora para o novo museu de Mantas e Tapeçarias de Belver. Fantástico saber que no início do século XX esta terra tem escrito no seu nome o empreendedorismo e o empoderamento feminino através da sua mestra Natividade Nunes da Silva (surpreendente se nos relembrarmos de todas as limitações aos direitos que as mulheres tinham em Portugal nesta altura) que adquire uma antiga fábrica de tecelagem do Bairro da Tropa criando a Fabrica de Tecelagem Natividade Nunes da Silva… este museu leva-nos a outros tempos e ao mundo da tecelagem, com os seus teares a pedal e a sua arte única.

O calor apertava afinal estávamos entre e Beira e o Alentejo, assim a opção foi rumarmos todos para a linda praia fluvial do Alamal, onde recuperamos forças numa esplanada na praia à sombra de umas frondosas e fresquinhas arvores, com a sugestão da frescura da água que estava a poucos metros de nós. Depois de revigorados metemo-nos a caminho do passadiço do Alamal, o sol já estava mais baixo, a luz a ficar naquela altura do dia que é perfeita para a foto e o rio, castelo, vegetação todos aprimorados e espelhados na água do Tejo.

As experiências sentidas pelos “tertulianos” foram únicas (como são em cada passeio), vimos “tertulianos” deitados (esparramados) no chão para a foto, vimos “tertulianos” a abrir bebedores para formarem uma fonte inédita na subida do castelo e a gritarem por uma foto como se estivessem á beira da Fonte di Trevi, vimos “tertulianos” a tentarem rebolar pelas escadas do castelo, “tertulianos” a mandarem pauzinhos para água para fazer ondas e efeitos especiais, “tertulianos” divertidos a fazerem bolas de sabão e nem quando se apagaram as todas as luzes do restaurante ao jantar estes TERTULIANOS esmoreceram, foi mais um momento de comemoração com todos a baterem palmas e a cantar os parabéns (parámos na parte de elegermos o aniversariante, desconfiamos que não havia ninguém).

Já uma vez escrevi, que esta Tertúlia é transversal a varias idades, mas quando estamos juntos não há idade que nos agarre, já agora desta vez a “Tertuliana” mais nova tinha apenas 10 anos a nossa Sofia Baldo (aluna do IPE) e garanto-vos que também ela se divertiu e muito, já para não falar das lindas fotos que tirou.

Olhar através de uma máquina fotográfica é mais do que um olhar improvável, nesta Tertúlia é um sentimento de felicidade, prazer, divertimento que nos atinge a todos sem exceções.

Foi um dia fantástico para a fotografia, para a amizade e para a gargalhada, terminámos com um jantar em Mação cuja especialidade era peixe do rio e já depois das 11 da noite demos por encerrada esta Tertúlia com o regresso a Lisboa!

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