Café

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Telefono-lhe poucas vezes. Menos do que devia.boletim_243_4

Telefono-lhe sempre que preciso e sempre encontro o mesmo apoio. Tenho consciência disso e pesa-me a consciência.

Cada telefonema prolonga-se por longos minutos – talvez horas, nem sei – numa tentativa de compensar as conversas que não temos tido. Acabamos a conversa sempre a prometer um café – bebida que veneramos – e que nunca acabamos por partilhar.

Desculpo-me, para mim próprio, com os constantes afazeres familiares e profissionais. Nem eu credito.

Sempre que lhe telefono, penso nos cafés que temos deixado de beber, das ideias que não trocámos, das palavras que não dissemos, dos abraços que não demos.

Telefono-lhe sempre que preciso e encontro sempre o mesmo apoio. Tenho consciência disso e pesa-me a consciência.

Rui Santos Vargas | nº19810132

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